Antes do ano mágico de 2019 pelo Flamengo, João de Deus, braço direito e auxiliar de Jorge Jesus, já havia desenhado a planta e o caminho de um sonho que parecia grande demais para Cabo Verde: disputar uma Copa do Mundo. O embrião foi plantado por João de Deus entre 2008 e 2010, quando foi treinador da seleção principal de Cabo Verde, acumulando a função de Diretor Técnico Nacional da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF). Em um país onde os campeonatos são disputados por clubes amadores e semiprofissionais, espalhados por nove ilhas, separadas por horas de barco ou voo, o português João se debruçou em capacitações, encontros e treinamentos com os profissionais de todo o país. Seu objetivo? Criar uma padronização no sistema de jogo e no entendimento do futebol em Cabo Verde, onde todos caminhassem na mesma direção. João de Deus com a seleção de Cabo Verde — Foto: Reprodução / Tubarões Azuis, no Olimpo dos Deuses do Futebol Quem garante que essa semente existiu é o próprio presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo, que recebeu a equipe do Globo Esporte na sede da entidade, na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, para uma entrevista exclusiva. "Quem começou a reestruturação da seleção nacional foi o João. Ele é extraordinário. Ele elaborou um plano de desenvolvimento de médio e longo prazo e através desse plano nós trabalhamos e conseguimos alcançar os objetivos propostos até chegar à Copa do Mundo." No meio da entrevista, pedimos a Semedo que ligasse para João de Deus. O presidente prontamente pegou o celular, ligou e, do outro lado da linha, o português atendeu na hora. Gravamos a conversa e a trouxemos para esta reportagem. "Não foi um trabalho de uma pessoa só, foram muitas pessoas empenhadas para esse projeto dar certo. Fiz muitos amigos em Cabo Verde, foi um trabalho muito especial. Quero desfrutar desse momento em ver Cabo Verde neste Mundial", disse João de Deus, do outro lado da ligação, em vídeo. João de Deus foi o responsável pela elaboração e pela arquitetura, mas a construção não parou por aí. Quem assumiu na sequência foi o cabo-verdiano Lúcio Antunes, que conduziu os Tubarões Azuis à primeira Copa Africana de Nações da história, em 2013, salto que colocou o país no mapa do futebol africano. Jorge Jesus e João de Deus nos tempos de Flamengo — Foto: Twitter/Flamengo Depois veio o português Rui Águas, em duas passagens (2014-2016 e 2016-2018), responsável por dar continuidade ao status conquistado e levar Cabo Verde à Copa Africana das Nações, de 2015. Entre um ciclo e outro, ainda passaram pelo comando nomes como Felisberto "Beto" Cardoso e Janito "Kivs" Carvalho, em períodos de transição, até a chegada de Pedro Leitão Brito, o Bubista. Auxiliar de tantos antes de se tornar o comandante, Bubista levou Cabo Verde à Copa do Mundo pela primeira vez e foi eleito o Treinador Africano do Ano de 2025 pela CAF. É ele quem vai estar na beira do campo comandando os Tubarões Azuis no Levi's Stadium, em Atlanta, na estreia contra a Espanha, no dia 15 de junho, pelo Grupo H. Cabo Verde está na Copa do Mundo. E parte dessa história é uma viagem ao passado, resgatando quem ajudou a pavimentar o caminho até a geração mais impactante do futebol cabo-verdiano se apresentar ao mundo.
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Flamengo é o embrião da revolução no futebol de Cabo Verde até a Copa
João de Deus, braço direito de Jorge Jesus, desenhou a planta e o caminho de um sonho que parecia grande demais para Cabo Verde: disputar uma Copa do Mundo. O embrião foi plantado por João de Deus entre 2008 e 2010, quando foi treinador da seleção principal de Cabo Verde.
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